Cacau no Brasil é uma expressão que carrega mais do que números agrícolas. Ela carrega ciclos de riqueza e crise, abandono e retomada, tradição e reinvenção.
Entender o cacau brasileiro hoje exige ir além do mapa de produção, exige compreender como o país saiu de protagonista global, atravessou décadas de ruptura e agora tenta reconstruir seu espaço em um mercado pressionado por clima, sustentabilidade e preços historicamente voláteis.
Este conteúdo percorre a história, a produção atual e as tendências que estão redesenhando o futuro do cacau no Brasil com dados, contexto e leitura estratégica, sem romantizar o campo nem simplificar uma cadeia que é tudo, menos simples.
Qual é a história do cacau no Brasil?
A história do cacau no Brasil é marcada por ascensão rápida, colapso abrupto e uma longa tentativa de reconstrução.
O cacau chegou ao Brasil ainda no período colonial, encontrando condições ideais especialmente no sul da Bahia. Durante décadas, o país figurou entre os maiores produtores mundiais, com o cacau sustentando economias locais, moldando cidades e influenciando a cultura regional.
Esse cenário mudou radicalmente a partir do final dos anos 1980, com a disseminação da vassoura-de-bruxa, praga que devastou lavouras baianas e fez a produção despencar, produtores abandonarem o cultivo e o Brasil perder relevância no cenário global.
Desde então, o cacau no Brasil deixou de ser apenas uma commodity agrícola tradicional e passou a ser tratado como um ativo estratégico que precisa de tecnologia, manejo correto e visão de longo prazo para sobreviver.
Onde se produz cacau no Brasil atualmente?
Hoje, a produção de cacau no Brasil está concentrada em poucas regiões, mas começa a se expandir para novas fronteiras agrícolas. Os principais polos produtores são:
- Pará
Atualmente o maior produtor nacional, responsável por mais de 50% da produção. O estado se destaca pelo uso de sistemas agroflorestais na Amazônia, conciliando produção e conservação ambiental. - Bahia
Berço histórico do cacau brasileiro, ainda responde por cerca de 30% a 40% da produção. O sistema de cabruca, que cultiva cacau sob a sombra da Mata Atlântica, permanece como símbolo de sustentabilidade e tradição. - Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso
Estados com participação menor, mas relevante para diversificação da produção.
Além desses polos, o Norte de Minas Gerais surge como uma nova fronteira, impulsionada por pesquisa científica e adaptação tecnológica, como detalhado em projetos da Epamig.
Qual é o panorama da produção de cacau no Brasil hoje?

O cacau no Brasil vive uma retomada cautelosa, com produção relevante, mas ainda distante do potencial histórico e global.
Segundo dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO), a produção brasileira gira em torno de 200 mil toneladas por safra, o que representa menos de 5% da produção mundial.
Isso coloca o país aproximadamente como o sexto maior produtor global de cacau, atrás de países africanos como Costa do Marfim e Gana, além do Equador.
O dado mais sensível não é o volume absoluto, mas a produtividade. A média brasileira ainda está próxima de 350 kg por hectare, enquanto regiões africanas superam facilmente esse número.
Ao mesmo tempo, há produtores no Brasil colhendo mais de 1.000 kg por hectare, o que evidencia um enorme espaço para crescimento técnico. Essa leitura é reforçada por análises como a da CNN Brasil, que aborda o plano nacional de dobrar a produção até 2030.
Quais são as principais tendências do cacau no Brasil?
As tendências apontam para qualidade, produtividade e novas regiões, não apenas expansão de área. Entre os movimentos mais relevantes estão:
Foco em produtividade e manejo agrícola
O crescimento esperado não depende apenas de novas áreas, mas da disseminação de boas práticas, adensamento e assistência técnica.
Expansão para regiões não tradicionais
Minas Gerais desponta como caso emblemático. Pesquisas da Unimontes mostram cultivo de cacau em pleno sol, consorciado com banana, com produtividade elevada e estabilidade econômica para o produtor:
Valorização do cacau fino e de origem
O Brasil tem ganhado reconhecimento internacional por qualidade, com premiações e interesse crescente do mercado bean-to-bar.
Integração com bioeconomia e sustentabilidade
Sistemas agroflorestais, uso integral do fruto e geração de renda sem desmatamento colocam o cacau como vetor estratégico na Amazônia.
Como o mercado global influencia o cacau no Brasil?
O cacau aqui está cada vez mais exposto ao cenário internacional, especialmente à volatilidade de preços. Quebras de safra na África Ocidental, eventos climáticos extremos e doenças elevaram os preços globais do cacau a patamares históricos em 2024 e 2025. Esse movimento:
- pressionou custos da indústria;
- reduziu a moagem em alguns mercados;
- aumentou o interesse global por novas origens produtivas.
Nesse contexto, o Brasil surge como alternativa viável, com infraestrutura agrícola consolidada e espaço para ganhos rápidos de produtividade, como apontado por lideranças da World Cocoa Foundation (WCF) e da iniciativa CocoaAction Brasil.
Minas Gerais no mapa do cacau brasileiro
Minas Gerais passou a ser realidade no cacau brasileiro. A combinação entre pesquisa, tecnologia agrícola e demanda por ingredientes premium transformou o estado em uma nova fronteira produtiva.
Hoje, regiões do Norte de Minas apresentam produtividade até dez vezes superior à média histórica de áreas tradicionais.
Esse movimento está conectado também à indústria. Empresas como a Fralía têm acompanhado de perto essa reconfiguração, ampliando capacidade produtiva e fortalecendo a transformação do cacau em insumos de maior valor agregado, como detalhado em reportagem da Exame.
FAQ – Perguntas frequentes sobre cacau no Brasil
Onde se produz cacau no Brasil?
Principalmente no Pará e na Bahia, com expansão recente para estados como Espírito Santo e Minas Gerais.
O Brasil é um grande produtor de cacau?
Sim, está entre os maiores produtores do mundo, mas ainda com participação pequena no volume global.
O cacau no Brasil é sustentável?
Grande parte da produção utiliza sistemas agroflorestais, como a cabruca e consórcios agrícolas, com forte viés ambiental.
O Brasil pode voltar a ser protagonista no mercado de cacau?
Sim, especialmente com ganhos de produtividade, expansão controlada e foco em qualidade e valor agregado.
A cadeia do cacau e o papel estratégico da Fralía
Antes da conclusão, é fundamental entender que o cacau no Brasil não se limita à lavoura. Ele depende de uma cadeia industrial capaz de transformar amêndoas em ingredientes padronizados, seguros e previsíveis para a indústria alimentícia.
Nesse ponto, a Fralía atua como elo estratégico ao investir em capacidade produtiva, contratos estruturados e relacionamento direto com clientes industriais, a empresa ajuda a reduzir os efeitos da volatilidade do mercado global.
Em vez de transferir instabilidade, constrói previsibilidade, algo raro em cadeias de commodities.
O futuro do cacau no Brasil está em construção
O cacau no Brasil não vive um retorno ao passado, vive uma transformação. O país deixou de apostar apenas em volume e passou a discutir produtividade, qualidade, sustentabilidade e inteligência de cadeia.
Se as metas até 2030 serão atingidas, o tempo dirá. O que já está claro é que o cacau brasileiro voltou ao centro do debate global como uma origem que combina território, ciência e estratégia.
E, em um mercado onde previsibilidade vale tanto quanto produção, entender toda a cadeia é inteligência de negócio. Por isso, empresas que tratam o cacau apenas como compra spot tendem a sentir com mais intensidade os impactos de cada ciclo.
Já aquelas que operam com modelos de proteção e gestão de risco conseguem atravessar períodos de alta com mais controle e estabilidade. Por isso, entenda como o Fralía Escudo foi criado para lidar com esse cenário.




